domingo, 12 de dezembro de 2010

Nossos inimigos dizem:
"a luta terminou".
Mas nós dizemos:
"ela começou".
Nossos inimigos dizem:
"a verdade está liquidada".
Mas nós dizemos:
"nós ainda a conhecemos".
Nossos inimigos dizem:
"mesmo que ainda se conheça a verdade, ela não pode mais ser divulgada".
Mas nós a divulgamos.


Toda via prossigamos!
Seja de que maneira for!
Saiamos a campo para a luta, lutemos, então!
Não vimos já como a crença removeu montanhas?
Não basta então termos descoberto que alguma coisa está sendo ocultada?
Essa cortina que nos oculta isto e aquilo, é preciso arrancá-la!


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

João Cabral de Melo Neto

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Coleção de frases

"É muito simples: só se vê bem com o coração. O Essencial é invisível para os olhos."

"Os homens do teu planeta, cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim... e não encontram o que procuram..."

"E no entanto o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa, ou num pouquinho d´água..."

"Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração..."

"Eu havia bebido. Respirava facilmente. A areia é a cor de mel quando amanhece. E a cor de mel me fazia feliz.

"Porque haveria eu de estar triste? ..."

...

don´t worry, be happy!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Alquimia

Isto não são horas de aparecer
Chorando, batendo na porta sem parar
Já passa das três
Procure algum santo pra te proteger
Aqui tu não tens mais lugar
Se queres saber
Novo tempo chegou regendo meu coração
Retumbando o tambor da minha revolução
Bem que eu quis te lembrar, amor
Mas fingias não me escutar
Onde estavas, meu bem?
Quando meu canto calou
Naquele pranto sem paz
Transbordando e a dor
Incrustada na pedra
Saiu pela boca do meu olhar
Alagando o chão, inundando o sertão
Mas na ilha que me abrigou
A baía me deu um cais
Pra correr o mar
Vida a me levar
Me embalar pra onde for
Outros gestos de amor
Pra bem longe do teu sabor
O teu corpo é no meu cobertor
Agora não é mais
Não aquece meus ais
Teu olhar se cristalizou
Incrustado na pedra ele jaz
Junto ao teu calor
Junto àquela flor
Que um dia o amor regou
No jardim dos tempos atrás
Então vai em paz
Leva os teus sinais
E não olhe pra trás
Vai em paz
Vai que esse canto é quebranto
Alquimia de compositor
Pra desatar
Teu corpo do meu cobertor


"Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração..."

Entretanto, a esperança é o que nos dá força para continuar...

"O que torna belo o deserto, é que ele esconde um poço nalgum lugar."



terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Filosofando...

não me peça pra ficar
só porque você não quer me acompanhar
não me fale em dor
antes das noites de frio sob o cobertor

não, não vou negar
você me deu tudo, eu te dei ar, de dou ardor
não me cale, amor
que a vida da gente é uma eterna canção por compor

pode parecer cruel , mas vou
eu não te desejo mal, mas vou
me agarrando, céu em céu, pra outra real
posso até estar pinel, mas vou
é porque desejo mais que eu vou
te mando no aniversário um cartão postal

vem, me tire pra dançar
essa dança não é fácil de se acompanhar
que não falte amor
no tempo e no espaço, a gente ainda pode criar
deixa a vida te levar
que as luzes se acendam e que a gente possa brilhar
mas cuidado, amor
que as mãos que estendem tapetes não possam puxar.

Música que hoje está na cabeça....

"Minh´alma transcende o visível e o tactil
Transporta-se por barreiras
E paredes físicas intransponíveis...
E, por alguns instantes,
Nossos olhares se cruzam
E esta, retorna rapidamente à mim
Me deixando paralisado
Assim,
Sem graça...
De tudo.

Deve ser por isso."

"As flores vão nascer de amores
Vãos, viver
E ninguém vai poder mais amputar sua raiz
O galho que crescer
Os ventos vão reger
E quem sabe dançar a sinfonia os homens gris

Há margaridas bêbadas sobre os balcões
Damas-da-noite no calor de explosões

As flores vão nascer
Do querer, sem querer
Lá no sertão, no Paquistão, no coração mais infeliz
E por que não dizer
No vaso, no prazer
Lá no quintal, no Pantanal, no Rio e em Paris

Delírios sob a lava dos vulcões
Amorosas no entulho das construções

Porque nada impede
Uma flor de nascer
De um desejo sincero

Porque nada impede
Uma flor de querer
O que eu quero"

"Sós, sonhos, sons..."

"A todos os seres que necessitam de TEMPO,
Um dia aquele, que fora o Sr. do Tempo, pede hoje, para que o toque de seus dedos no barro da vida acelere e modele rapidamente o instante, e que, seja BREVE. Tão breve e finito tais os melhores momentos de nossa vida."

"O dedo invisível do tempo
Modelando nosso destino
No barro da vida é um velho
Girando, virando menino
Sonhando sons, criando asas
E as asas pisando o céu
Entrando e saindo das casas
Brincando qual pipa de papel
Driblando dragões e cometas
E contando histórias pra lua
Brincando de roda com os planetas
Bem ali, na porta da rua
E a tarde fugindo sem pressa
Na velha cidade da luz
Presente no sol que atravessa
Futura na estrela que conduz
O dedo invisível do tempo..."






sábado, 4 de dezembro de 2010

Poema da Batalha

Sabe quando aperta-te o peito
angustiado permanece preso?
tente respirar com todo esse peso
Sufoca a alma e o orgulho
Pensa que quero ferir-te
machuco a ti e a mim.

equivocos sao como pedras
atingem a cabeça que se poe a ressoar
Vibraçao que arde, corta o coraçao.
retalhos de sentimentos largados pelo chao
colho-me, varro-me

Aspire meus erros e os jogue fora
limpe os vestigios lustre os absurdos
com esforço, talvez se tornem glorias

procuro a fronteira que me separa da exatidao
Sou imigrante, nao tenho permissao
choco-me com a guarda violentamente
Mas sou fraca, perco a batalha sangrenta
tanto sofrimento asteio a bandeira da paz.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Repousar


Momento de recuar
Não é ser covarde
Porque até para afastar
É preciso coragem
Aguentar a pressão
Que sua falta faz
E parar de pensar
Em voltar atrás

Retrair para refletir
Recolher-se
E se reconstruir
Tomar fôlego
Ou impulso para seguir

Seja qual for o motivo
Recuar é paz aos ouvidos
Reposição de energia
Pausa e precisa calmaria
De repousar
Num eterno continuar

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